03 outubro 2010

Texto de um amigo

Li, gostei, pedi, ele me deu. Obrigada, Beto Carmo.

Uma vida num momento

Vendo avançar a idade, com tantos sonhos ainda por cumprir, parece não terem os deuses outra escolha a não ser derramá-los todos à minha frente, como um armário de querências tão maior quando mais anarquista tiver sido. E a armário derrubado não se olha os presentes.

Nada dentro de padrões moldados, nada fácil, nada parecido, nada mastigado. Apenas um monte de emoções embrulhadas para viagem, que n’algum dia do meu passado – de criança ou aborrecente – pintei e embalei carinhosamente. Queria ser diferente!

E no correr da maturidade, por obrigação, ou por falta de vontade, derramamos sobre elas tantas incertezas e descrenças, tanto comodismo ou desilusão, que acabaram cobertas por um âmbar duro, mas transparente, onde ainda podemos vê-las, mas chegar lá... só firme, corajosa, sonhadora, impetuosa e insistentemente.

Momentos há em que me reduzo à minh’alma e pouco mais – nem cara bonita, nem trejeitos modernos, nem perspectivas de deitar numa rede à espera da aposentadoria – quero vida intensa todo dia! Um fenômeno químico de oxirredução, onde deixo decantar o que existe em mim de mais faminto. E me pergunto, embriagado de absinto: - como me deixei chegar até aqui com tanta fome?

Na busca da calma, toureio meus instintos como posso. Tenho que confiar no meu taco, ou tudo que aprendi não passou de falácia, de um boato que alguém me soprou na placenta ainda.

E, mesmo que depois seja imprescindível chorar, como disse aquele Passarim Brasileiro Jobim, não abro mão de nada, quero cada pedacim dessa vida de riscos, tim-tim por tim-tim.

Na luta entre instinto, neurônios, coronárias e labirintos, jogo meus dados ao infinito. Sou teimoso, um dia petisco!

Beto Carmo
25/09/2010

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28 março 2009

Mãe

Hoje fui ao velório da mãe da minha querida amiga Vera Vilela.
Falo com absoluta certeza que Vera é uma pessoa que entrou em minha vida para ficar. Temos afeto de irmãs, nos entendemos e respeitamos.
Lamento amiga, pela perda da dona Nilza. Embora me faltassem palavras, acredito ter transmitido todo o meu sentimento no abraço que trocamos naquela hora tão difícil e dolorida.

Fui portadora da notícia aos nossos e-groups e listas. Você recebeu palavras maravilhosas dos nossos amigos, que lerá quando voltar ao seu lar.*
Por hora, deixo aqui, as palavras do Beto Carmo, nosso amigo de nuvens, um texto suave que me tocou. Certamente você também vai gostar.

Com sua licença, Beto.:

Quando nossos velhinhos queridos voltam pro mundo espiritual a gente sente um vazio.
A gente tem que agradecer muito poder ter chegado à idade madura tendo a presença deles.
Eles terminaram suas tarefas e foram descansar um pouco antes de voltar ao nosso mundo e formar nova vida.
Assim como nós, um dia, vamos voltar pra lá e ficar preocupados se nossos filhos vão sofrer, devemos entender o ciclo da vida e lembrá-los com flores que podemos plantar ou pôr em vasinhos para recordar a presença deles. Sentir saudades gostosas deles, que serão como gotas de orvalho a refrescá-los.
Pais que aqui deixam filhos e filhas de boa vontade voltam felizes ao mundo espiritual, com missão cumprida.
No decorrer das vidas vamos reencontrá-los em laços familiares.
A dor da partida aos poucos é substituída pela compreensão maior da vida. Eles estão sempre ao nosso lado, atentos às nossas necessidades aqui na Terra. Ficam alegres com nossas lembranças e estão sempre prontos para nos inspirar boas idéias e paciência.
Um beijo com todo carinho.
Beto

*Vera mora em Bauru, e seus bichinhos estão sentindo demais sua falta. Embora Sá cuide muito bem deles, eles sentem saudades. Vera está dando apoio ao pai e se Deus quiser, logo volta pra casa.

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